O Piauí tem uma riqueza que a maioria de nós ignora porque muitas vezes sequer sabemos que é uma riqueza em si. Trata-se de nossa muito original culinária – que só descobrimos ser rica e vasta quando nos afastamos do Piauí e percebemos que ter certos pratos à mesa faz a nós uma falta danada.
Por isso, vamos listar aqui 11 pratos típicos do Piauí, de norte a sul do Estado.
Servidos?
- Maria Isabel: o arroz com carne de sol (ou carne seca) que frequenta a mesa de dez entre dez piauienses. O preparo mais básico consiste basicamente em cozinhar a carne previamente refogada com legumes (cebola, tomate, pimentão), temperada com sal e pimenta-do-reino e cozida em fogo brando para que todos os sabores se concentrem.
- Capote: a ave de origem africana conhecida como galinha-d’angola ou guiné fora do Piauí, aqui ganha contornos de preciosidade culinária sendo preparada com arroz, frita ou ao molho, que pode ser o comum (às vezes com leite de coco) e pardo (com o próprio sangue da ave). Detalhe: como o capote é ave que mantém características selvagens, mais saboroso é aquela criada solta.
- Arroz de carneiro: o Piauí era em 2024 (IBGE) o quinto maior produtor brasileiro de carneiro e não sem razão no Estado a carne de carneiro frequenta a mesa dos piauienses nas mais variadas formas. Mas é o arroz de carneiro, uma das favoritas dos piauienses, feito com a carne previamente salgada e seca – com ou sem osso – refogada em manteiga de garrafa com legumes picados, especiarias e finalizado com pimenta de cheiro, cebolinha e coentro picados.
- Bode assado: o Piauí é o terceiro maior criador brasileiro de cabras e bodes e a carne caprina é muito frequente na mesa do piauiense. O bode assado consiste em preparo na brasa da carne, com cortes de costela, paleta e colchão – que serve para o carneiro servido do mesmo modo.
- Carne de sol: não deve ser encarada exatamente como prato, mas como ingrediente principal de vários preparos, como a já citada Maria Isabel e a paçoca. Seu preparo exige boa escolha de peça de carne, bom talho e salga para boa desidratação em que a carne fique ressecada.
- Paçoca: é possivelmente, junto com a carne de sol, o item com mais ancestralidade da culinária piauiense, porque se bem acondicionada pode durar por dias sem perder o frescor, ou seja, era comida para sustentar vaqueiros a campear ou levar o gado bovino por longa distância. Consiste de carne de sol bastante seca, desfiada após cozida, macerada em pilão com farinha de mandioca, com cebola picada, servida com rodelas de banana.
- Pintado: um prato sertanejo, muito comum nas regiões de São Raimundo Nonato e São João do Piauí, basicamente consiste em um cozido de feijão e milho junto com carnes bovina e suína, gerando um prato colorido e cheio de sabor. Também conhecido por mungunzá salgado, é comum em outras áreas sertanejas do Nordeste.
- Bolo de goma: feito com goma de mandioca, no preparo da massa são usados ovos, leite e sal. Não há fermentação. O bolo cresce pelo esforço de bater a massa e submetê-la a alta temperatura em forno de lenha, de preferência. O bolo de goma é tão recorrente na mesa de café da manhã do piauiense quanto pão francês, beiju e cuscuz.
- Casquinha de caranguejo: embora com um litoral de somente 66 km, o Piauí tem uma boa tradição culinária de mar. A casquinha de caranguejo se insere nesse contexto gastronômico. Consiste em um prato clássico do litoral, feito com carne de caranguejo, refogada com temperos frescos, leite de coco, acompanhada de farinha de mandioca e limão.
- Pirão: é quase somente um acompanhamento ou guarnição para outros pratos, mas de tão bom, merece ser tratado como prato principal. O pirão é basicamente um escaldado dos molhos em quantidades generosas em que são preparadas caldeiradas típicas do Piauí, como os cozidos de peixe, galinha caipira ou mão-de-vaca. Parte do caldo é reservada para escaldar a farinha e depois cozinha-la até um ponto de maciez que lembra um purê.
- Carne de panela: é um assado de carne bovina, em geral em cubos, de cortes como o colchão duro, o lagarto ou músculo, refogados com legumes até que forme um molho denso no qual a carne assa a ponto de ficar desfiando.
